Como ganhar dinheiro com ações




Obviamente qualquer investidor aplica seu dinheiro pensando em obter lucros. Entretanto, muitos investidores iniciantes não sabem como ganhar dinheiro com ações.

Na Renda Fixa a lógica é simples: você compra um título público ou privado e ao final de determinado período receberá o valor inicialmente investido acrescido de juros de acordo com o indexador escolhido.

Na Renda Variável a dinâmica é um pouco diferente, pois as incertezas são maiores e as possibilidades de lucros ou prejuízos também são ampliadas.

Basicamente, existem três principais maneiras de ganhar dinheiro ao se investir em ações:


Através da venda de ações após valorização


Para os iniciantes no mundo das ações e aqueles investidores em busca de ganhos no curto prazo, essa é a forma mais popular de lucrar com aplicações na Renda Variável.

O conceito desta forma de ganhar dinheiro é bem simples: o investidor compra determinada ação na expectativa de que a mesma se valorize para que ele possa vender por um valor mais elevado e, consequentemente, obtenha lucro nesta operação.

Geralmente, o investidor que possui essa estratégia de investimento está mais preocupado com a volatilidade do mercado do que com a qualidade da empresa que está se tornando sócio.

O principal objetivo é comprar na “baixa” e vender na “alta” para obter a maior rentabilidade possível.

O investidor com esta estratégia de atuação é conhecido no mercado como “trader“.

Alguns investidores são tão fissurados nesta estratégia que fazem diversas operações de compra e venda da mesma ação no mesmo dia, buscando obter lucros com as variações de preço da ação em espaços curtos de tempo (horas ou até mesmo minutos). Este tipo de operação é conhecida como “day-trade“.

como ganhar dinheiro com ações day-trade

Por exemplo: Aldair comprou ações da Petrobras às 11:00 pelo valor de R$ 15,00. Ao longo do dia, Aldair percebe que o valor desta ação começa a subir e resolve vendê-las às 15:30 pelo preço de R$ 15,10.

Sendo assim, como as operações de compra e venda foram realizadas no mesmo dia é caracterizado o “day-trade“.

No mesmo formato e utilizando a mesma técnica existe o chamado “swing trade”, porém com a diferença de que a operação dura mais de um dia, ou seja, você “dorme com a ação” e com isso fica sujeito às inúmeras variações mundiais ocorridas enquanto a bolsa brasileira está fechada para operação. A intenção é igual à do “day-trade“, lucrar com a oscilação dos preços, mas num espaço de tempo maior.

Os investidores que operam nesta estratégia de lucrar com a valorização das ações geralmente possuem um perfil mais arrojado e mais propenso ao risco e, principalmente, disponibilidade de tempo para fazer o acompanhamento de perto do mercado ao longo dos dias.

Para ser um “trader” e buscar lucro com a compra e venda de ações é aconselhável que o investidor busque conhecimento sobre as diversas técnicas aplicáveis para este fim e, principalmente, acompanhe e entenda o funcionamento do mercado de Renda Variável.

Muito cuidado com sites e “empresas de consultoria” que prometem ganhos exorbitantes na Bolsa de Valores. Se fosse tão fácil dobrar ou triplicar o patrimônio através de operações com ações, você acha mesmo que estes gurus estariam perdendo tempo escrevendo e tentando vender relatórios?

A título de curiosidade é interessante saber que Warren Buffet, considerado o maior investidor de todos os tempos, conseguiu uma rentabilidade média de “apenas” 22% ao longo dos últimos 30 anos.

warren buffett nunca perca dinheiro

Portanto, reforçamos o conselho para tomarem muito cuidado com promessas de ganhos fáceis e exorbitantes do dia pra noite…


Através de dividendos





O investidor que busca ganhar dinheiro com ações através do recebimento de dividendos possui um perfil diferente do “trader”.

Enquanto a maior preocupação do “trader” é com a oscilação do preço das ações, o investidor que visa dividendos está mais interessado na qualidade e nos resultados da empresa e compra a ação com a intenção de realmente se tornar sócio da companhia.

Obs.: Como tudo na vida, o mundo dos investimentos não é uma simples receita de bolo. Portanto, um mesmo investidor pode atuar como “trader” e “sócio” de diversas empresas ao longo do tempo.

Para quem nunca ouviu falar em dividendo, saiba que este termo é utilizado para designar a parcela do acionista no lucro da empresa.

Portanto, se a empresa apresenta lucro em determinado período, parte deste lucro é distribuídos entre os acionistas. Em nosso país, existe a obrigatoriedade de distribuição de no mínimo 25% do lucro apurado pela empresa.

Portanto, se a empresa apresentar um lucro de R$ 100.000 (cem mil reais), ela é obrigado a distribuir no mínimo R$ 25.000 entre os seus acionistas.

como ganhar dinheiro com ações e dividendos

O mesmo raciocínio não se aplica a prejuízos, uma vez que o acionista não é obrigado a “dar” dinheiro para a empresa nestes casos.

Não existe regra definida em relação à periodicidade do pagamento destes dividendos. Tem empresas que distribuem dividendos trimestralmente, por exemplo. Geralmente o prazo máximo para esta distribuição é de 1 ano.

A melhor forma de mensurar e comparar as diversas empresas em relação ao pagamento de dividendos é denominada de “dividend yield“.

Apesar do nome rebuscado, o “dividend yeld” nada mais é do que a divisão do valor do dividendo recebido pelo preço pago na compra da respectiva ação.

Vamos ilustrar com um exemplo:

Cafu comprou 100 ações da empresa “Bons Investimentos” ao custo total de R$ 100 (custo unitário de R$ 1,00) e 200 ações da empresa “Fique Rico sem Esforço” ao custo total R$ 600 (custo unitário de R$ 3,00).

Após 1 ano, Cafu recebeu R$ 10 de dividendos da “Bons Investimentos” e R$ 15 da “Fique Rico sem Esforço”.

Neste caso, qual seria a empresa com maior retorno para Cafu?

Se formos analisar apenas os valores totais, parece que Cafu teve um melhor aproveitamento na “Fique Rico sem Esforço”. Entretanto, é neste momento que devemos utilizar o conceito de “dividend yeld” para fazer uma comparação justa e inteligente.

Na compra das 100 ações da “Bons Investimentos” Cafu gastou R$ 100 e agora obteve R$ 10 de dividendos. Fazendo a divisão de R$ 10 por R$ 100, teremos um “dividend yeld” de 0,10 ou 10%.

Ou seja, em apenas 1 ano a empresa “Bons Investimentos” ofereceu um retorno de 10% do valor investido apenas na distribuição de dividendos (sem considerar a oscilação no preço da ação, que poderia ser tanto positiva quanto negativa).

Na compra das 200 ações da “Fique Rico sem Esforço” Cafu gastou R$ 600 e agora obteve R$ 15 de dividendos. Fazendo a divisão de R$ 15 por R$ 600, teremos um “dividend yeld” de 0,025 ou 2,5%.

Portanto, é possível observar que a “Bons Investimentos” apresentou um desempenho muito superior, pois ofereceu um retorno de 10% contra apenas 2,5% da “Fique Rico sem Esforço”.


Através de Juros sobre capital próprio (JSCP)


O pagamento de juros sobre capital próprio (JSCP) é uma forma de distribuição de lucros muito similar ao pagamento de dividendos.

A diferença entre “juros sobre capital próprio” e “dividendos” está no fato de que os juros podem ser tratados pela empresa como despesas, enquanto a distribuição de dividendos não pode receber esse tratamento no balanço da companhia.

Mas, em termos práticos para o acionista (investidor), o que isto representa?

Ao receber parte dos lucros da empresa como “dividendos” o acionista fica isento do pagamento de impostos sobre o valor ganho, uma vez que a companhia já pagou os impostos devidos quando fez a apuração do seu lucro líquido.

Ou seja, o “dividendo” é o lucro da empresa obtido após o pagamento de todos os impostos pela empresa. Desta forma, se o investidor fosse obrigado a pagar novos impostos poderia ser caracterizada a bi-tributação, uma vez que ele na condição de sócio da empresa já fez o devido pagamento.

Ao receber receitas da empresa como “juros sobre capital próprio” o investidor obrigatoriamente precisará pagar Imposto de Renda sobre o valor total recebido.

A alíquota do Imposto de Renda em cima de “juros sobre capital próprio” é de 15%.

É importante ressaltar que este pagamento do Imposto de Renda ocorre na fonte, ou seja, o valor que você receberá já virá com o devido desconto. Em outras palavras, você não precisará se preocupar em gerar guias / DARFs para regularizar sua situação.

Esta diferença fiscal no pagamento de “juros sobre capital próprio” é vantajosa para a empresa justamente pelo fato dela poder contabilizar os valores pagos como juros a seus acionistas como despesa.

Desta forma, a empresa reduz o lucro tributável e, consequentemente, diminui o imposto a ser pago por ela.

Ou seja, em termos práticos, a companhia transfere a responsabilidade pelo pagamento de parte dos impostos para seus investidores.

De forma resumida, tanto os “juros sobre capital próprio” quanto os “dividendos” são formas de distribuição dos lucros de uma empresa aos seus acionistas.

Enquanto os “juros sobre capital próprio” são distribuídos antes da empresa pagar os impostos e, por isso, existe a tributação dos valores recebidos pelos investidores; os “dividendos” são distribuídos após o pagamento dos impostos, ou seja, são baseados no lucro líquido da empresa e, portanto, são isentos do pagamento de impostos.

A decisão entre distribuir lucro na forma de “juros sobre capital próprio” ou “dividendos” é feita pela assembleia geral, conselho administrativo ou diretoria da empresa.

É importante ressaltar que uma empresa pode distribuir lucros num mesmo ano tanto sob a forma de “juros sobre capital próprio” como “dividendos”.

Nestes casos, para calcular o “dividend yeld” o acionista deverá somar os valores recebidos como “dividendos” com os valores líquidos recebidos como JSCP.


Este é o terceiro artigo da nossa série intitulada “Ações para leigos”. Para conhecer os demais artigos, acesse:

Para dúvidas, elogios ou reclamações, basta deixar um comentário aqui embaixo. Teremos o maior prazer em te responder, combinado?

renda variável e ações fabio paredes






4 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *