Experiência prática com o FGC: falência do Banco BVA




Muitos investidores mais conservadores ainda possuem receio em aplicar seu dinheiro em bancos de médio porte em função do medo do FGC falhar ou simplesmente pelo desconhecimento do funcionamento deste mecanismo de proteção.

Durante o período em que estávamos escrevendo o nosso livro “Investimentos Seguros e Rentáveis – A estratégia dos autores do blog Bons Investimentos para aumento de patrimônio“, recebemos um contato do nosso parceiro César Falcão do blog “poupeme.com falando justamente sobre o FGC.

O César Falcão nos enviou o seu relato detalhando os trâmites burocráticos que precisou enfrentar para receber o dinheiro que tinha investido no Banco BVA após a falência desta instituição financeira.

Achamos o material tão interessante e didático que resolvemos incluir a história em um dos capítulos de nosso livro, mas esquecemos de fazer a divulgação aqui no blog…

Desta forma, aproveitamos a ocasião para compartilhar com todos este relato extremamente valioso!


Bem, este artigo contará a minha experiência prática com o FGC, o Fundo Garantidor de Créditos.

Pois é, tive investimentos em um banco que quebrou, faliu mesmo, sofrendo intervenção e liquidação pelo Banco Central.

O tal banco foi o BVA lá pelos idos de 2012.

Aqui você pode ver a lista completa de bancos que se esfaleceram e cujos credores foram socorridos pelo FGC (criado em 1995).

Bem, eu havia comprado em 19/12/11 uma LCI do Banco BVA a 95% do CDI com vencimento para 03/12/12. Depois, em 26/09/12, comprei outra LCI do mesmo banco a 97% do CDI com vencimento para 10/04/13.

Nesse link você verá que a decretação da intervenção no Banco BVA se deu em 19/10/12, quando precisei ir atrás da cobertura do FGC.

Detalhe: em 2012, o FGC não cobria até R$ 250.000 como atualmente, mas somente até R$ 70.000.

O Resgate

resgate FGC banco bva

Apesar do Portal InfoMoney ter dado a notícia no mesmo dia da intervenção, eu só me liguei no fato em dezembro de 2012, justamente quando estava previsto o resgate da LCI a 95% do CDI com vencimento para 03/12/12.

Observação: minha corretora (XP Investimentos) não passou nenhum comunicado sobre a intervenção. Terminei descobrindo pelo noticiário, por conta própria, e então fui tentar entender.

Inicialmente, o meu assessor de investimentos da XP não sabia ao certo os procedimentos. Afinal, a situação era nova para todos.

Quando entrei em contato, em 18/12/12, ele informou que os valores seriam automaticamente passados para a minha conta na corretora.

No entanto, os pagamentos via FGC são feitos diretamente aos credores/clientes. Ou seja, nada passa pelas corretoras ou custodiantes.

O Fundo Garantidor de Crédito publica um edital para explicar a forma de pagamento aos credores. No meu caso específico, foram três editais: um para os credores de São Paulo, outro do Rio de Janeiro, e outro pro resto da galera (meu caso).

Reparem que os editais foram publicados apenas em 10/04/13, ou seja, quase 6 meses após a intervenção pelo Banco Central.

Ai, agora sim, na mesma data do edital, a XP enviou comunicado a todos os clientes com ativos no Banco BVA. O comunicado resumia o edital, mostrando onde e como o dinheiro seria resgatado.

Então, para o resgate numa agência do Bradesco eu precisava das Notas de Negociação referente à compra do ativo.

Esse documento (Notas de Negociação) foi enviado para mim, via e-mail, pela própria corretora. 

Recebi tudo em 14/04/13 e, conforme dizia o edital do FGC, eu já poderia fazer o resgate a partir de 15/04/13.

Fui no primeiro dia disponível e, depois de uma leve espera e burocracia de praxe, bastou informar uma conta corrente (coloquei na minha conta do BB) pra que eles fizessem a transferência do valor.

Rendimentos e Prazos

fgc banco bva

Bem, quanto à rentabilidade… Eles pagaram os juros devidamente acordados, mas corrigidos apenas até a data da intervenção. 

Ou seja, é pago o valor investido acrescido dos rendimentos até a data da decretação da intervenção.

Assim, fiquei com a grana parada (sem render) por cerca de 6 meses.

Não há como saber o prazo em que o FGC pagará a garantia ao credor, pois, segundo o próprio Fundo Garantidor de Crédito, ele depende de informações que são passadas pelo Interventor ou Liquidante, conforme for o caso.

Lá no site do FGC eles possuem uma lista com o intervalo de tempo transcorrido entre a data da decretação e o início do pagamento para todo o histórico de pagamentos do fundo.

Repare que, para o caso do Banco BVA, o FGC apresenta nessa lista o prazo de 4 meses e 12 dias. Considerando decretação em 19/10/12 e o início do pagamento em 04/03/13.

No entanto, já mostrei que no meu caso foram quase 6 meses. O próprio edital “de pagamento” do FGC é de 10/04/13.

Lá no edital também consta que o início do pagamento seria 15/04/13, portanto 6 meses após a intervenção.

Enfim, o que importa é isso: se a instituição financeira coberta pelo FGC quebrar, você pode ficar cerca de 6 meses sem ver a cor do seu dinheiro.

Então, vale a pena correr esse risco? Eu diria que sim. O Fundo Garantidor de Créditos realmente funciona e os bancos menores pagam rentabilidades excelentes!


Pronto! Acreditamos que nada melhor do que alinhar os conhecimentos teóricos com exemplos reais e este relato do César Falcão é uma excelente forma de entendermos um pouco mais do funcionamento do FGC.

Se quiserem maiores detalhes desta história, basta visitar o blog do César Falcão e deixar uma mensagem. Ele é sempre muito solícito e tenho certeza que terá o maior prazer em ajudar!

Para entenderem um pouco mais sobre o tema, recomendamos a leitura de nosso artigo específico sobre o FGC.


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