Grau de investimento: entenda as agências de rating

Tempo de leitura: 9 minutos

Você sabe o que é grau de investimento ou já ouviu falar sobre as principais agências de rating (risco): Moody’s, Fitch ou Standard & Poor’s (S&P)?

Sabe qual o funcionamento básico destas agências de classificação de risco e como utilizá-las para escolher seus investimentos de forma ainda mais segura?

As agências de avaliação de risco, ou agências de rating (em inglês), são empresas especializadas e independentes que monitoram as atividades financeiras de diversas instituições e países e avaliam o grau de risco através da divulgação de uma nota.

As três principais agências de classificação de risco do mundo são justamente estas três citadas no início deste artigo: Moody’s, Fitch e S&P.

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Estima-se que em 2013 estas três agências detinham cerca de 95% do mercado global.

Estas agências de rating possuem suas receitas advindas da contratação por parte das próprias instituições financeiras e/ou países que desejam ser classificados.

Para a definição da nota de risco são realizadas diversas análises técnicas nas instituições ou países, como por exemplo:

  • Qualidade dos ativos envolvidos na negociação e respectivas garantias de pagamento.
  • Experiência dos executivos.
  • Se a geração de caixa é suficiente para manter a estabilidade da instituição.
  • Endividamento.
  • Conhecimento e mitigação dos próprios riscos internos.

Desta forma, as instituições financeiras e países buscam as agências de risco (rating) como forma de indicar aos investidores a qualidade de seus produtos.

Por outro lado, os investidores devem utilizar estas avaliações para mensurar os riscos em determinadas aplicações e identificar quais bancos apresentam mais segurança para seus investimentos.


Notas das agências de rating


A escala de notas destas avaliações varia entre as agências e para facilitar a sua compreensão apresentamos a seguir uma tabela consolidando as notas destas principais agências:

grau de investimento moodys-fitch-s&p-rating-nota

Desta forma, as classificações divulgadas por estas agências são indicadores públicos, que servem como parâmetro para os investidores avaliarem os riscos associados aos títulos de renda fixa.

Resumidamente, quanto maior a nota, mais seguro é investir. Quanto menor a nota, maior é a probabilidade de a instituição apresentar problemas e de você, num caso extremo, levar um calote.

Dentro deste contexto, geralmente quanto pior a nota de uma determinada instituição financeira, maior será o rendimento que esta instituição terá que oferecer ao investidor para que este assuma o risco do investimento.


Como saber o risco / rating do banco que pretendo investir?


Você não precisa ficar pesquisando caso a caso, pois as principais corretoras oferecem esta informação juntamente com as demais variáveis de cada investimento. Veja o destaque vermelho na figura abaixo (retirado do site da Easynvest):

rating grau-de-investimento-easynvest

Reparem que o Banco Indusval possui investimentos com risco (rating) BB+ pela Fitch e Baa2 pela Moody’s, ou seja, a Fitch considera como grau especulativo e a Moody’s como grau de investimento.

Como explicar esta situação?

Primeiramente, as classificações das agências são independentes e os critérios podem sofrer variações entre uma e outra.

Além disso, podemos ter casos onde a Moody’s avalie globalmente o Banco Alfa (nome fictício) como Baa3, uma LCI deste mesmo banco como Baa2 e um CDB também do Banco Alfa como Ba2.

Neste caso, teríamos o banco de uma forma geral com grau de investimento, uma LCI também com grau de investimento e um CDB com grau especulativo.

Agora a situação ficou ainda mais complexa, não acha? Este exemplo hipotético poderia existir no mundo real?

A resposta é “sim”, pois as agências além de classificarem a instituição financeira, avaliam também um produto específico oferecido por esta instituição. Sendo assim, a classificação de uma LCI ou CDB pode ser melhor ou pior do que a própria classificação da instituição financeira.

Caso você tenha dúvidas ou receio da classificação informada pela sua corretora e queira analisar a classificação dos bancos que oferecem determinados investimento, existe a possibilidade de acessar o site das agências de risco e fazer a sua própria consulta.

Esta consulta direta ao site das agências é um pouco mais complicada e, talvez, a análise de todas as informações obtidas possa exigir um conhecimento mais avançado do tema. Mas é perfeitamente possível entender qual a nota de cada banco / instituição.

Para facilitar sua vida, segue um tutorial básico do passo-a-passo para o acesso às três principais agências de risco.


moodys

  1. Acessar o site da Moody’s através deste link.

2. Fazer login. Você pode cadastrar seu e-mail ou se logar com a sua conta do facebook (mais fácil e rápido).

3. Selecionar no menu superior a primeira opção: “Research & Ratings”.

4. Na primeiro coluna (“Overview”), selecionar a opção “Look Up a Rating”.

agência-rating-moodys

5. Inserir o nome do banco que você está querendo saber o rating e selecionar “GO”.

moodys-rating-consulta


Fitch-ratings

  1. Acessar o site da Fitch através deste link.
  1. Não precisa fazer login para consultas básicas como esta.
  1. No menu lateral esquerdo, selecionar a opção “Lista de Ratings”.

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  1. Abrirá uma tela com diversos ratings. Em nossa visita ao site a consulta aos bancos aparecia na terceira posição, ou seja, era necessário rolar a tela para baixo e passar pelos ratings de subnacionais (Estados e Municípios) e empresas antes de encontrar as notas dos bancos.

grau-de-investimento-fitch-bancos


s&p

  1. Acessar o site da S&P através deste link.

Existem duas formas de consultar o rating de determinado banco através da Standard & Poor’s.

A. Para consulta sem precisar fazer login:

I. No menu lateral esquerdo, selecionar a opção “Lista de Ratings” dentro do item “Regulação”.

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II. Fazer download do arquivo “Lista de Rating de Crédito de Emissor”.

Obs.: Este arquivo contém, também, informações de vários bancos e empresas de outros países da América Latina.

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B. Para consulta fazendo cadastro / login:

I. Insira o nome do banco que está procurando o rating e clique em “busca”.

s&p-busca-rating

Resultado para a busca do “Banco do Brasil”:

rating-banco-do-brasil-bb-s&p


Exemplo prático para o uso das notas das agências de classificação de risco


Para facilitar ainda mais o seu entendimento e fixar os conceitos apresentados, vamos a um exemplo prático considerando 04 bancos hipotéticos que supostamente foram avaliados pela Moody’s:

grau-de-investimento-exemplo

Repare que os bancos com as piores notas, apresentam os melhores rendimentos. Mas você confiaria o seu dinheiro a um banco com grau especulativo?

A resposta desta pergunta poderá variar de acordo com o perfil de cada investidor: mais agressivo e, portanto, mais exposto ao risco ou mais conservador e avesso ao risco.

Independente do seu perfil, aqui vai uma dica fundamental:

“Não se esqueça da principal proteção do seu investimento: o FGC. Sendo assim, procure sempre investir no máximo R$ 250.000 em cada instituição financeira para garantir que todo o seu dinheiro esteja coberto pelo limite do Fundo Garantidor de Crédito.”

Você pode ficar tentado com o excelente rendimento de +17,5% a.a. oferecido pelo banco “Ômega” e deve estar se perguntando qual seria a nossa escolha neste caso, certo?

Bem, neste exemplo, os únicos bancos com grau de investimento são o “Alfa” e o “Beta”. Apesar do “Gama” e “Ômega” apresentarem as melhores taxas, temos uma premissa de investir apenas em bancos com grau de investimento para minimizar as eventuais chances de precisarmos pedir socorro ao FGC.

Sendo assim, a nossa escolha nesse caso seria pelo banco “Beta”, o melhor rendimento entre aqueles que possuem grau de investimento.

Entretanto, é bom ressaltar que o fato de uma empresa ser classificada como grau de investimento não significa necessariamente que esta permanecerá adimplente, mas apenas que isto tende a acontecer mais frequentemente ao longo do tempo do que no caso das empresas de classificações inferiores.


Posso confiar 100% nas agências de classificação de risco?


As agências de classificação de risco foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009, pois elas davam o “grau de investimento” para instituições com operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA quando estas quebraram e iniciaram uma grande crise financeira.

Outra crítica às agências é o fato delas possuírem a receita proveniente dos próprios bancos que avaliam, o que poderia levantar suspeitas sobre a verdadeira independência das classificações.

Adicionalmente, para que a nota dada pela agência se torne pública, é necessária a autorização do próprio banco. Desta forma, caso a instituição avaliada receba uma nota ruim, poderá optar por não revelar ao mercado.

Este é um dos principais motivos para que você não confie em bancos que não possuam classificação de risco.

Existem críticas também quanto aos atrasos nestas avaliações, pois para alguns especialistas as alterações das notas de risco saem somente após o próprio mercado já ter identificado a tendência de queda ou alta.

Apesar destas “desvantagens”, de maneira geral o mercado financeiro tem relativa confiança no trabalho destas agências, pois o índice de acertos ao longo dos anos tem se mostrado superior aos erros.


Conclusão


Aprendemos neste artigo como interpretar as notas dadas pelas agências de avaliação de risco e como podemos utilizá-las para nos auxiliar na escolha dos investimentos.

Vimos também ser possível consultar as notas das instituições financeiras através da corretora ou pela visita direta aos sites das próprias agências de rating.

Após a leitura completa deste material, pudemos entender que as classificações de risco não são, no entanto, recomendações de compra ou venda de títulos, nem são garantia de que uma moratória não irá acontecer.

Entretanto, podem ser utilizadas como uma das ferramentas para maximizar a escolha do seu investimento.

Neste ponto, é de fundamental importância ter em mente que o único seguro verdadeiramente efetivo para o seu investimento em renda fixa é o FGC.


O que achou deste artigo? Você já conhecia as agências de risco? Já utilizou as classificações como ferramenta para a sua decisão de investimento?

Compartilhe sua experiência ou mesmo sua inexperiência no assunto e nos deixe um comentário.

10 Comentários


  1. Parabéns pela tabela com as notas das 3 agências. Ficou muito boa. Já salvei aqui no pc para usar futuramente.

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  2. Já conhecia um pouco das agências, mas nunca tinha ido ao site delas. Sempre pensei que fosse difícil, mas esse tutorial me incentivou e vi que é realmente fácil. Valeu! 🙂

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  3. Significar dizer então que para para um investimento de renda fixa como CDB, por exemplo, vale apena optar por uma agência que pague mais apesar de possuir um grau mais baixo de investimento, já que quem lhe dará garantias é o FGC?

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    1. Renan, a única garantia realmente verdadeira dos investimentos em CDB é o FGC. Entretanto, a escolha por determinado banco é muito pessoal e relacionada ao tipo de risco que o cliente está disposto a correr. Este risco seria a falência do banco e a demora / burocracia para resgatar o dinheiro via FGC. Portanto, o principal é investir sempre o máximo de R$ 250.000 em cada banco (limite da cobertura do FGC). Nós evitamos investir em bancos com “grau especulativo” justamente porque queremos evitar a burocracia de usar o FGC, mas tem muitos bancos “desconhecidos” do grande público com “grau de investimento” e excelentes rentabilidades.

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      1. Entendi. Agradeço muito pelas respostas e parabéns pelo site! Abraço!

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