Diminuição do Auxílio Emergencial: 52% de perda no poder de compra

Cerca de 29,4 milhões de domicílios brasileiros (1) foram amparados pelo Auxílio Emergencial, benefício financeiro fornecido pelo Governo Federal para enfrentar a crise sanitária atual.

A redução no valor do benefício e a inflação nos alimentos deterioram o poder de compra nos diferentes estados brasileiros.

diminuicao-auxilio-emergencial


Um dos maiores programas assistenciais da história brasileira, o Auxílio Emergencial surgiu para fornecer proteção aos mais vulneráveis durante o enfrentamento da crise atual, causada pela pandemia do novo coronavírus, Sars-CoV-2.

O valor pago a cada beneficiário do programa era de R$ 600 e foi reduzido, em setembro, para R$ 300. A inflação no preço dos alimentos nesse mesmo período fez com que o poder de compra tenha se reduzido.

Estudo realizado pelo Bons Investimentos analisa quais estados brasileiros mais foram afetados e quais são os alimentos que mais contribuíram para a redução do poder de compra.

O estudo: poder de compra por estado


O estudo realizado, resumido no infográfico interativo abaixo, teve como objetivo identificar quais estados mais tiveram seu poder de compra comprometido com a redução da parcela do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 (diminuição de 50%) quando considerada a inflação dos alimentos no mesmo período.

Como referência de valores, foi considerado o preço médio das cestas básicas por capital, conforme dados de setembro fornecidos pelo DIEESE (2) (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

A pesquisa considerou o valor para 17 capitais. Abaixo, valores da perda do poder de compra por UF:

  • DF – 62,5%
  • MS – 58,0%
  • MG – 58,0%
  • ES – 57,6%
  • Média BR – 57,8%
  • RJ – 57,4%
  • SP – 57,2%
  • GO – 57,2%
  • RS – 57,1%
  • SC – 56,9%
  • CE – 56,8%
  • PB – 56,4%
  • BA – 56,3%
  • SE – 56,0%
  • PA – 55,9%
  • RN – 54,3%
  • PR – 53,2%
  • PE – 53,2%

Tabela 1: Perda do poder de compra da cesta básica utilizando Auxílio Emergencial

UF
Cidade
Cesta básica (ago/20)
Cesta básica (set/20)
Cesta básica (out/20)
Cesta básica (nov/20)
Cesta básica (dez/20)
Perda poder compra
DF
Brasília
R$ 443
R$ 446
R$ 490
R$ 573
R$ 592
62,50%
MS
Campo Grande
R$ 484
R$ 493
R$ 520
R$ 589
R$ 576
58,00%
MG
Belo Horizonte
R$ 478
R$ 492
R$ 517
R$ 552
R$ 569
58,00%
ES
Vitória
R$ 509
R$ 539
R$ 553
R$ 607
R$ 600
57,60%
RJ
Rio de Janeiro
R$ 530
R$ 564
R$ 592
R$ 630
R$ 621
57,40%
SP
São Paulo
R$ 540
R$ 563
R$ 596
R$ 629
R$ 631
57,20%
GO
Goiânia
R$ 483
R$ 511
R$ 538
R$ 557
R$ 564
57,20%
RS
Porto Alegre
R$ 529
R$ 553
R$ 581
R$ 617
R$ 616
57,10%
SC
Florianópolis
R$ 530
R$ 582
R$ 585
R$ 617
R$ 616
56,90%
CE
Fortaleza
R$ 462
R$ 486
R$ 511
R$ 539
R$ 535
56,80%
PB
João Pessoa
R$ 415
R$ 432
R$ 450
R$ 455
R$ 475
56,40%
BA
Salvador
R$ 419
R$ 459
R$ 455
R$ 488
R$ 479
56,30%
SE
Aracaju
R$ 398
R$ 427
R$ 442
R$ 451
R$ 453
56,00%
PA
Belém
R$ 442
R$ 459
R$ 468
R$ 487
R$ 501
55,90%
RN
Natal
R$ 419
R$ 422
R$ 437
R$ 455
R$ 459
54,30%
PR
Curitiba
R$ 506
R$ 524
R$ 521
R$ 547
R$ 540
53,20%
PE
Recife
R$ 439
R$ 464
R$ 469
R$ 463
R$ 469
53,20%
BR
Média
R$ 478
R$ 492
R$ 517
R$ 552
R$ 566
57,80%

O infográfico mostra quantas cestas básicas é possível comprar com o Auxílio Emergencial em cada uma destas capitais analisadas.

Vilões do aumento de preço


aumento-do-preco-da-cesta-basica

Parte dos dados fornecidos pelo DIEESE mostra também quais foram os alimentos que mais contribuíram para a elevação geral no nível de preços da cesta básica. Abaixo, resumo dos principais:

  • Óleo de Soja: Aumento de preço em todas as capitais analisadas.
  • Arroz Agulhinha: Aumento de preço em todas as capitais analisadas.
  • Carne de Primeira: Aumento de preço em 16 das 17 capitais analisadas.
  • Açúcar: Aumento de preço em 15 das 17 capitais analisadas.
  • Leite Integral: Aumento de preço em 14 das 17 capitais analisadas.
  • Tomate: Aumento de preço em 14 das 17 capitais analisadas.

Tabela 2 – Variação de preços nos alimentos

Alimento
Variação entre set e ago/20
Variação entre out e set/20
Variação entre nov e out/20
Variação entre dez e nov/20
Acumulado
Batata
-6,71%
20,31%
51,17%
2,75%
74,33%
Óleo de soja
32,21%
14,01%
9,08%
4,35%
71,57%
Arroz agulhinha
20,77%
7,62%
5,02%
4,57%
42,74%
Tomate
16,16%
23,22%
4,04%
-17,46%
22,91%
Banana
1,28%
6,15%
4,22%
8,46%
21,52%
Carne bovina de primeira
4,28%
5,15%
5,75%
2,39%
18,73%
Açúar refinado
0,85%
0,84%
2,50%
6,50%
11,02%
Feijão carioquinha
4,01%
0,89%
3,10%
0,41%
8,63%
Café em pó
-0,62%
1,96%
1,46%
3,71%
6,62%
Pão grancês
1,36%
-0,45%
1,64%
2,13%
4,74%
Leite integral
5,18%
0,21%
-0,21%
-1,37%
3,74%
Manteiga
0,32%
1,19%
-0,09%
-0,86%
0,55%
Farinha de trigo
2,64%
-5,99%
0,15%
-0,91%
-4,24%

Taxa de Desocupação Recorde


taxa-de-desocupacao-2020

Dados da PNAD COVID19, publicados pelo IBGE, mostram que, em setembro, a taxa de desocupação atingiu seu maior nível desde o início da série histórica PNAD Covid19 mensal.

Foi registrada a cifra de 14% de desocupados no período, o que representa um total de 13,5 milhões de pessoas.

Ressaltamos que a taxa de desocupação é popularmente conhecida como taxa de desemprego e contabiliza as pessoas que não tem trabalho, mas estão a procura de um.

As regiões com maior taxa de desocupação foram:

  • Nordeste: 16,9%
  • Norte: 14,8%
  • Sudeste: 14,2%
  • Centro-Oeste: 12,1%
  • Sul: 9,8%

Tabela 3 – Taxa de desocupação

UF
Estado
ago/20
set/20
Variação
RO
Rondônia
9%
9,1%
0,1%
AC
Acre
13,1%
13%
-0,1%
AM
Amazonas
17,9%
18,2%
0,3%
RR
Roraima
15,9%
16,2%
0,3%
PA
Pará
13,7%
14,4%
0,7%
AP
Amapá
17,3%
17,4%
0,1%
TO
Tocantins
12%
13,5%
1,5%
MA
Maranhão
18,1%
19,2%
1,1%
PI
Piauí
10,3%
9,9%
-0,4%
CE
Ceará
13,1%
15,2%
2,1%
RN
Rio Grande do Norte
17%
16,8%
-0,2%
PB
Paraíba
11,9%
13,7%
1,8%
PE
Pernambuco
15,3%
15,9%
0,6%
AL
Alagoas
16,4%
16,6%
0,2%
SE
Sergipe
13,2%
16%
2,8%
BA
Bahia
18,1%
19,6%
1,5%
MG
Minas Gerais
12,3%
12,6%
0,3%
ES
Espírito Santo
12,6%
12,9%
0,3%
RJ
Rio de Janeiro
15%
16,1%
1,1%
SP
São Paulo
14,5%
14,5%
0%
PR
Paraná
11,2%
11,1%
-0,1%
SC
Santa Catarina
8,2%
7,8%
-0,4%
RS
Rio Grande do Sul
9,9%
9,7%
-0,2%
MS
Mato Grosso do Sul
10%
9,5%
-0,5%
MT
Mato Grosso
10%
9,8%
-0,2%
GO
Goiás
13,5%
13,2%
-0,3%
DF
Distrito Federal
13,3%
14,1%
0,8%
BR
Todo Brasil
13,6%
14%
0,8%

As informações completas podem ser visualizadas no infográfico interativo abaixo, no qual é possível analisar a informação por estado.

[INFOGRÁFICO]

Fontes:

(1) https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/

(2) https://www.dieese.org.br/


Este infográfico e o respectivo estudo para a sua elaboração foram desenvolvidos pela equipe do site bonsinvestimentos.com.br.

A sua reprodução e divulgação em outras mídias é autorizada desde que seja citada a origem e incluído um link para esta publicação original.

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