IPCA – O que é? Como funciona? Como impacta sua vida?


Você sabe o que é IPCA? Sabe de que maneira a inflação afeta sua vida e seus investimentos?

Foi pensando em sanar todas as suas dúvidas que preparamos este guia completo sobre o IPCA.

O que é IPCA?


O IPCA, sigla de índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, pode ser entendido como um termômetro oficial para avaliar a inflação, podendo impactar de forma direta em boa parte dos investimentos.

Sendo assim, entender esse índice e acompanhá-lo é uma importante ferramenta para tornar-se um investidor mais consciente.

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira e cabe ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) medi-lo mensalmente com o intuito de identificar variação de preços no comércio.

Para o Banco Central, o IPCA é o índice brasileiro oficial da inflação ou deflação.

Como o IPCA funciona e como impacta sua vida?


Atualmente, nossa inflação está de certa forma baixa, fazendo com que os impactos do IPCA em nossas vidas sejam menos aparentes.

Mas ainda que não seja tão visível assim, o IPCA está presente, ajustando os preços em todas as nossas compras, seja para cima, seja para baixo.

Além de atuar na variação de preços do dia-a-dia, o IPCA também afeta a rentabilidade dos investimentos pós-fixados e atrelados a este índice.

Aqui, cabe um olhar ao passado: as décadas de 80 e 90, quando o índice originou o que então se chamou de hiperinflação.

Naquela época, era bastante comum que um produto no início do dia fosse vendido por um valor X e ao final do mesmo dia tivesse sendo vendido por um valor bem mais elevado. Essa variação se dava em função da hiperinflação da época, medida pelo IPCA.

Por isso se diz que o IPCA funciona como se fosse um termômetro para a economia brasileira, juntando informações que auxiliam o consumidor no entendimento do que vai encontrar no momento da compra.

Além disso, como já dito, é utilizado como instrumento de correção de determinadas aplicações financeiras, valendo-se do IPCA como índice de referência. É o caso de alguns títulos do “Tesouro Direto IPCA+” (falaremos mais sobre isso adiante).

O vídeo abaixo tem uma excelente explicação sobre o que é o IPCA e como ele pode afetar a sua vida financeira. O conteúdo é sensacional e recomendamos fortemente que assista para entender absolutamente tudo sobre IPCA:

O que representa as altas e baixas do IPCA em nosso dia-dia?


Basicamente, quando o IPCA sobe, os itens de consumo do dia a dia tendem a sofrer uma elevação de preço, o que gera a inflação no período.

Se você se lembra do período de 1990 a 1994 ou já teve a oportunidade de conversar com pessoas que lembram desse período, sabe de qual pesadelo estamos falando, a época da hiperinflação.

Naquele período, de acordo com matéria divulgada pelo G1, a média anual do IPCA chegou a 499,2%.

Nesta época, havia muita oscilação monetária, fazendo com que o dinheiro perdesse seu valor muito rápido.

Para se ter ideia, um eletrodoméstico de brinquedo poderia custar mais do que um de verdade. No início do dia, a comida tinha um valor; no fim do dia, já era outro.

Era bastante comum também pagamento e recebimento em dólar devido à sua estabilidade. Alguns dos hábitos que temos hoje, como ir ao supermercado para fazer compra de mês, vêm dessa época.

Geralmente, quando o IPCA apresenta subida, é necessário que a pessoa tenha mais dinheiro para comprar a mesma coisa, isso é, existe a redução no poder de compra com a elevação do IPCA.

Levando isso em consideração, as remunerações e o salário mínimo costumam ser reajustados todo ano na tentativa de equilibrar a balança entre aumento dos preços e manutenção do poder de compra.

Se no mês posterior o índice for menor, isso não quer dizer que haverá deflação (redução nos preços). Na realidade, isso representa que os preços, quando comparados ao mês anterior, subiram menos. Tem-se a chamada deflação quando o IPCA é negativo, ou seja, os preços sofrem diminuição.

O que causa mudanças na inflação?


ipca-o-que-e-significado

A economia tem uma dinâmica própria e bastante complexa, apresentando oscilações que podem ser, na verdade, respostas a situações sociais, geográficas, financeiras, desastres climáticos, questões políticas, dentre muitos outros fatores.

Logo, torna-se difícil apontar com precisão a causa da inflação de maneira geral, sem considerarmos o contexto por trás de uma possível alta no IPCA.

Basicamente, são seis as cadeias de acontecimentos capazes de provocar aumento nos preços, a saber:

  • Desequilíbrio dos gastos públicos.
  • Cartéis empresariais.
  • Inércia do cenário econômico.
  • Aumento nos custos de produção.
  • Baixas na produção.
  • Ajustes de indexação.

Quando o governo injeta mais dinheiro na economia (podendo isso ser feito pela impressão de novas cédulas ou facilitando a concessão de crédito), a demanda acaba ultrapassando a oferta e a moeda, por sua vez, passa a valer menos.

Isto ocorre porque produtos e serviços têm seus preços baseados na lei da oferta e da demanda.

Ou seja, se algo é muito procurado, mas tem pouca disponibilidade, seu preço tende a subir. Aplicando a mesma lógica, se temos muita oferta e baixa demanda, a tendência é que o preço do produto ou serviço diminua.

Além disso, a inércia na economia pode fazer com que empresas acreditem na iminência de um aumento na inflação, levando-as a aumentarem os preços por prevenção.

O aumento nos preços dos produtos também pode ser consequência de fatores econômicos ou internos, por exemplo, a menor importação de insumos, impulsionando uma alta geral nos preços.

Pensando nos fatores climáticos, pode ser que a safra de determinado produto necessário para diferentes produtos alimentícios seja bem menor do que o esperado e quando a produção baixa, os preços tendem a subir.

Considerando todo o exposto, é fundamental lembrar que o IPCA acumulado de um ano em geral é utilizado como guia para o planejamento do próximo ano fiscal.

Assim, uma grande inflação no ano anterior acaba fazendo com que as empresas subam seus preços no próximo ano.

Considerando isso, o Banco Central estipula anualmente a chamada meta de inflação, através da qual ele utiliza mecanismos de controle capazes de conter o avanço de uma inflação fora de controle.

Como o IPCA é calculado?


como-calcular-ipca

O IPCA é calculado todos os meses através de uma pesquisa de preços realizada pelo IBGE, com a intenção de expressar o custo de vida para famílias que possuem renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos e que são residentes em regiões metropolitanas e em certos municípios.

Esta pesquisa de preços do IBGE é feita em estabelecimentos comerciais, em domicílios, em prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos.

O período da pesquisa acontece entre o primeiro e o último dia de cada mês e possui como objetivo identificar os preços efetivamente cobrados ao consumidor, considerando pagamentos à vista.

As seguintes categorias de produtos e serviços fazem parte desta pesquisa de preços do IBGE: transportes, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, comunicação, educação, vestuário e artigos de residência.

Cada uma destas categorias possui um peso diferente no cálculo do IPCA, conforme especificado na tabela abaixo:

Tipo de gasto
Peso no IPCA
Transportes
20,8377%
Alimentação e bebidas
18,988%
Habitação
15,1593%
Saúde e cuidados pessoais
13,4575%
Despesas pessoais
10,5972%
Comunicação
6,1859%
Educação
5,9519%
Vestuário
4,801%
Artigos de residência
4,0215%

Peso de cada setor sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE

Adicionalmente, é interessante você saber também que os diferentes municípios contribuem com pesos diferentes para o cálculo do IPCA, conforme mostrado na tabela abaixo:

Região
Peso no IPCA
São Paulo
32,32%
Belo Horizonte
9,74%
Rio de Janeiro
9,41%
Porto Alegre
8,59%
Curitiba
8,05%
Salvador
5,99%
Goiânia
4,16%
Brasília
4,09%
Recife
3,93%
Belém
3,91%
Fortaleza
3,22%
Vitória
1,86%
São Luis
1,62%
Campo Grande
1,51%
Aracaju
1,02%
Rio Branco
0,51%

Peso de cada região sobre o cálculo do IPCA – Fonte: IBGE

Quais as diferenças entre IPCA e IPCA-E?


Bom, já entendemos que o IPCA é a medida mais conhecida da variação dos preços no Brasil. Mas ele não é o único; existem demais índices compartilhando o mesmo objetivo, embora com metodologias distintas.

É o caso, por exemplo, do IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial). Essencialmente, esse índice é uma série especial do IPCA, sendo divulgado a cada 3 meses pelo IBGE.

A principal diferença entre esses indicadores reside no fato de que o cálculo do IPCA-E é feito baseado no IPCA-15 (prévia do IPCA) do período de referência. Iremos detalhar esse outro tipo de medida da inflação (IPCA-15) mais adiante no texto.

Para ajudar você a entender sobre o que estamos falando: o IPCA-E acumulado em 2019 correspondeu a 3,91% (um pouco abaixo do IPCA, que terminou o mesmo ano em 4,31%).

A depender da finalidade de uso, tal diferença pode ser fundamental na precificação de uma dívida em função das taxas de juros cobradas ou no rendimento de um investimento.

Adicionalmente, outra diferença marcante está no fato do IPCA ser divulgado mensalmente enquanto o IPCA-E é divulgado somente a cada 3 meses.

Como o IPCA pode impactar seus investimentos?


Todos os investimentos devem se basear no IPCA do período. Afinal, você, investidor brasileiro, deve garantir que sua rentabilidade seja pelo menos maior do que a inflação do período.

Seu ganho real, já tendo sido feitas as deduções da inflação, taxas e tributos, deve ser calculado na compra de qualquer ativo ou na realização de qualquer investimento.

Já pensou, conseguir um ótimo investimento, mas ao fazer as contas, perceber que no final a rentabilidade é menor do que a inflação? Este foi o caso recente da poupança, que já foi vista como a queridinha de todos os brasileiros que queria fazer o seu dinheiro render.

Sendo assim, qualquer investimento que se faça precisa, pelo menos, acompanhar a inflação para que tenha seu poder de compra garantido.

Adicionalmente, existem alguns investimentos que possuem o seu rendimento atrelado diretamente à inflação.

Por exemplo: vamos imaginar que o “Tesouro Direto IPCA+” ofereça a rentabilidade de “IPCA + 3,0% ao ano”. Neste caso, em um ano onde a inflação (IPCA) foi de 4,0%, o seu investimento neste título público será de 7,0% ao ano.

Além do Tesouro Direto, é comum ver no mercado financeiro algumas LCIs e CDBs com rendimentos atrelados ao IPCA.

O vídeo abaixo explica como o IPCA pode afetar seus investimentos:


Gostou da nossa matéria? Agradecemos a sua visita e te convidamos a navegar um pouco mais pelo nosso site – Bons Investimentos!

Compartilhe:
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram

2 respostas

Faça um comentário

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS!

Publicidade

Procure o tema do seu interesse

Usamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência neste site e personalizar publicidade. Ao continuar navegando, você concorda com isso.